A otoplastia é uma cirurgia estética para correção do tamanho e formato das orelhas. O problema a ser corrigido é a famosa “orelha de abano”, que muitas crianças têm e que pode causar problemas de convívio social, pois acaba se tornando motivo de bullying e de dificuldades no relacionamento durante a infância e adolescência. A otoplastia é a cirurgia estética mais realizada em crianças e adolescentes, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Estima-se que cerca de 5% das crianças nascem com o problema, que é uma alteração congênita. Dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica mostram que o número de procedimentos para a correção da orelha de abano realizados em crianças e adolescentes na última década aumentou em 30%. Alguns especialistas sugerem que o bullying pode ter contribuído para a maior procura por esse tipo de cirurgia.

A idade mínima recomendada para o procedimento é 6 anos, quando a orelha já atingiu o crescimento mais significativo. Mas é recomendado que a cirurgia não seja imposta para a criança e, sim, que seja um desejo dela, apoiado pelos pais. Por este motivo, muitas vezes ela não acontece durante a infância, mas depois, quando chega a adolescência e os problemas sociais se tornam mais aparentes e começam a incomodar mais.

Foi o que aconteceu com a design de interiores Marina Buzatto Marcassa, de 29 anos, que fez a otoplastia. Ela conta que o caso dela nem era tão extremo, mas que a incomodava, principalmente os comentários da família quando concordavam com ela quando reclamava da anatomia das orelhas e, em especial, as brincadeiras da irmã mais velha. Aos 8 anos ela já sentia o incômodo pela situação, que aumentou depois dos 13. Mas a decisão só veio depois, aos 16 anos, quando acompanhou a mãe em uma pequena cirurgia e levantou o questionamento junto ao médico. Daí, com as informações que levantou, achou que seria uma cirurgia viável e resolveu fazer, de forma repentina. E não se arrepende. “Eu gostei do resultado, eu não costumava usar cabelo preso, que me incomodava, e depois da cirurgia eu fiquei mais à vontade”, conta Marina.

O mais importante na decisão, além de ter que partir do próprio adolescente, é que exista uma conversa franca entre o médico de confiança – otorrinolaringologista ou cirurgião plástico, paciente e família. Harmonizadas as expectativas e reais possibilidades de resultados, é hora de saber todos os detalhes sobre a cirurgia:

  • O adolescente deve ser informado sobre a técnica utilizada; local da cicatriz cirúrgica; tipo de anestesia; tempo para retirada dos pontos; tempo de internação e recuperação pós-cirúrgica.
  • Os riscos anestésicos são pequenos. A cirurgia pode ser feita com anestesia local. Mas, no caso dos adolescentes, é indicada a anestesia geral.
  • A cirurgia deve ser realizada em hospitais ou clínicas especializadas, e é possível receber alta no mesmo dia.
  • Após a cirurgia, o paciente permanece com um curativo “capacete” por um período de 24 horas, com o objetivo de proteger a região, diminuir os incômodos do pós-operatório e, ainda, prevenir a formação de hematomas e diminuir o inchaço.
  • Após retirar o curativo, é recomendado que se utilize uma bandana ou faixa para dormir, com o objetivo de manter as orelhas na posição até a completa cicatrização durante 6 semanas.
  • Outra dica para a redução do inchaço é dormir com a cabeceira da cama elevada, pois a cabeça na posição mais alta permite maior drenagem venosa.
  • É bom que se evite dormir de lado, sobre as orelhas, nos primeiros dias após a cirurgia.
  • Deve-se evitar, também, a exposição solar por dois meses após a cirurgia. O sol do dia a dia não tem implicações, mas é preciso evitar a exposição solar que pode bronzear.
  • Para a sutura da pele, são utilizados fios absorvíveis e, por isso, não há necessidade de serem retirados. Há equipes que preferem utilizar fios que não são absorvíveis e, nesses casos, os pontos são retirados em 7 a 10 dias.
  • As principais complicações que podem acontecer são: sangramento e hematoma, já que a orelha possui uma grande vascularização.
  • O retorno às atividades escolares dever ser em 5 a 7 dias.
  • A prática de exercícios físicos deve ser evitada por 3 semanas. Para esportes em que o contato físico é maior, como esportes coletivos, lutas etc., o tempo de afastamento é de dois meses.
  • O resultado da cirurgia quanto à posição da orelha é observado no pós-operatório imediato. No entanto, a redução completa do inchaço ocorre por volta do 3º a 4º mês após a cirurgia.

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