Há mais de 30 dias sem cair uma gota d’água do céu – a última chuva ocorreu em 18 de julho –, os sorocabanos sofrem com o tempo seco. Por isso, problemas respiratórios estão lotando consultórios médicos da cidade.
Nas UPH’s (Unidades Pré-Hospitalares), por exemplo, o movimento cresceu 15% em um mês. Enquanto na rede particular a presença de pacientes aumentou 40%.
Os casos mais comuns são doenças do trato respiratório, como gripes, resfriados e infecções, como faringite, sinusite, amidalite e rinite ou mesmo pneumonia.
A baixa umidade do ar dificulta a dispersão de poluentes. As partículas (ácaros, poeira e restos de materiais queimados) são inalados pelas pessoas o que favorece a problemas respiratórios e infecções.
Crianças e idosos/ Ardência nos olhos, tosse, nariz entupido são alguns sintomas agravados nesta época. Crianças e idosos, além daquelas pessoas que já sofrem com doenças respiratórias, são os mais afetados.
A socióloga Carolina Darcie, 31 anos, leva a filha Helena, 1, a cada 20 dias ao médico especialista em otorrinolaringologia. “Ela já tem asma e sofre ainda mais com a baixa umidade do ar”, explica. “Tenho de aplicar soro fisiológico nas vias nasais dela todos os dias para hidratá-las.”
A recomendação é do otorrinolaringologista Rogério Poli Swensson. “A hidratação é fundamental nesta época do ano. Deve-se, sim, fazer o uso do soro”, afirma.
O médico destaca ainda quais são as diferenças entre soro e descongestionante. “O soro é para hidratar e o descongestionante age nos vasos sanguíneos e não pode ser usado por gestantes, hipertensos e quem tem arritmia cardíaca ou glaucoma”, detalha.
Os efeitos/ A população sente os efeitos dos dias secos e de temperaturas altas em pleno inverno.
A dona de casa Maria José Xavier, 57, reclama que à noite tem dores de garganta. “É inevitável não sofrer no inverno quando o tempo fica péssimo”, diz. “Para piorar a qualidade do ar, ainda ateiam fogo em matagais”, acrescenta.
Já o pintor Pedro Vicente Leite, 59, observa a mudança de temperatura no decorrer do dia. “Vivemos as quatro estações em 24 horas.” Neste caso, o otorrinolaringologista Rogério Swensson lembra que o ideal é carregar um agasalho para evitar o resfriado.
A aposentada Iraci Maria Xavier, 82, comenta que a boca e os olhos ficam secos. “Passo água”, diz. O recomendado é lubrificante ocular e ingerir mais de dois litros de água para manter o organismo hidratado.
Vai chover só na 1ª quinzena de setembro
Não chove há 35 dias e a situação deve permanecer assim pelo menos até a primeira quinzena de setembro. Essa é a previsão do meteorologista do Clima Tempo, Marcelo Pinheiro. “Se chover antes será insuficiente para melhorar o ar. O índice será de apenas dois milímetros”, justifica.
O ar seco impede a chegada da massa de ar polar na região, por isso as temperaturas estão quentes e não chove. O adequado seria 40 milímetros de chuva para o período, mas o índice, até o momento, é de 0mm.
A também meteorologista Aline Tochio acrescenta que as temperaturas estão acima do adequado para a estação. “No inverno, a máxima deveria ser 23° e a miníma 11,5°, mas o termômetros registram 29° e 13°, respectivamente”, afirma.
Em Sorocaba, nos últimos dias, a média de umidade do ar ficou em 28,90%, índice considerado estado de alerta pela OMS (Organização Mundial de Saúde), já que o ideal seria 50%. “Terça-feira foi o dia mais seco do ano atingindo 19%”, conta Aline.
Umidificadores/ Preocupada com a saúde dos três filhos, a dona de casa Gislaine Jesus, 28 anos, comprou um umidificador para equilibrar o ar seco dentro de casa. “Por enquanto eles não apresentaram sintomas, mas temos umidificador, justamente para prevenir que fiquem ruins.”
De acordo com José Alberto Cépil, diretor da Farmamed Farmácias, com o tempo mais seco há um aumento de 20% nas vendas de umidificadores. “Com o tempo seco notamos uma procura maior por umidificadores, além de medicamentos para asma e outros tipos de doenças respiratórias.”
Cada aparelho custa entre R$ 100 e R$ 300 e os benefícios são o ambiente mais úmido e puro.






