Perda repentina de audição deve ser avaliada imediatamente

Um dos casos da otorrinolaringologia que merece atenção rápida é a perda repentina de audição sem causa aparente. Também chamada de surdez súbita, normalmente atinge pessoas que nunca tiveram nenhuma queixa prévia e que, de uma hora para outra, sentem a audição diminuir. O sintoma da perda de audição ainda pode ser acompanhado por zumbido e vertigem.

A cada ano, uma em cada 5000 pessoas apresenta o problema. Em 99% dos casos, atinge apenas um dos ouvidos. Apesar de considerada uma perda auditiva grave, é possível recuperar a audição parcial ou total em um período de 10 a 14 dias.

Em grande parte das vezes, é difícil até para o médico especialista dar um diagnóstico preciso, mas é essencial que se busque ajuda. Em 10% dos casos, a causa pode ser o tumor benigno de um nervo auditivo, mas também podem ocorrer causas genéticas, autoimunes, vasculares, infecciosas ou traumáticas.

Por isso, a urgência na consulta com um otorrinolaringologista é tão importante para o diagnóstico e indicação de tratamento, de preferência no mesmo dia em que se percebe a diminuição da audição. A surdez súbita é confirmada quando se detecta a perda de 30 ou mais decibéis em 3 ou mais frequências testadas em um dos ouvidos.

Também é preciso fazer diferentes investigações, se houver outras queixas não relacionadas à audição. Normalmente, percebe-se o problema logo pela manhã ou, então, a perda vai aumentando rapidamente no decorrer das horas ou ao longo dos dias.

Estatísticas

Em cerca de 70% dos casos, o problema vem acompanhado de zumbidos e em 30%, de vertigens, que diminuem com o passar dos dias. O zumbido costuma persistir. A incidência aumenta de acordo com a idade do paciente:

– 7 a cada 100.000 pessoas de 20-30 anos; – 15,8 em 100.000 na faixa etária de 50-60 anos.

A recuperação acontece normalmente dentro das primeiras duas semanas e é mais rápida quanto mais jovem for o paciente. As chances de cura diminuem quando há perda de audição severa acompanhada de vertigem.

Causas

É bem difícil identificar a causa, pois pode ocorrer depois de alguma doença infecciosa, como caxumba, parotidite, sarampo, gripe ou mononucleose infecciosa, que correspondem a mais ou menos 80% da frequência dos casos.

Atividades físicas intensas, como o levantamento de peso que exerce bastante pressão nos ouvidos, também podem ser causadoras da surdez súbita.

Tratamento

Quando diagnosticada e tratada precocemente, a surdez súbita tem uma boa evolução e uma grande chance de cura. Em adultos, o diagnóstico é mais precoce, pois percebem melhor a perda da audição. Já em crianças é mais demorada a descoberta. Neste caso, quem acaba descobrindo são os professores que percebem a queda de rendimento e a desatenção causada pelo problema.

Há diversas linhas de tratamento. Normalmente, quando o problema é descoberto no início e a causa for aparente, podem ser prescritos medicamentos à base de corticoides sistêmicos, associados a vasodilatadores, mas o melhor tratamento para a surdez súbita ainda é a prevenção e a procura imediata pelo especialista.

As campanhas de vacinação podem diminuir a incidência de grande parte das doenças infecciosas responsáveis pela surdez súbita. Quando não há mais chances de recuperação de audição, os especialistas indicam o uso de aparelhos auditivos e, em alguns casos, até o implante coclear. Cerca de um terço dos pacientes apresentam melhoria espontânea dos sintomas.

Fontes: http://www.manualmerck.net/?id=238&cn=1931 http://portalotorrino.com.br/surdez-subita-diagnostico-e-tratamento/

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Referência em Otorrinolaringologia


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